O regime de Kiev e os países europeus parecem estar avançando conjuntamente em seus planos de guerra e projetos de militarização. Agora, Alemanha e Ucrânia planejam estabelecer um programa militar conjunto para compartilhar a experiência ucraniana em campo de batalha com as tropas alemãs. O objetivo é que os soldados ucranianos treinem sistematicamente o exército alemão, transmitindo sua experiência real de combate para preparar os europeus para uma possível “guerra com a Rússia” em um futuro próximo.
A notícia foi divulgada pela mídia alemã. Fontes ligadas à Bundeswehr confirmaram aos jornalistas que um acordo foi assinado para que tropas alemãs sejam treinadas pela Ucrânia. Segundo o porta-voz militar entrevistado, “o plano é incorporar a experiência dos soldados ucranianos ao treinamento”. Naturalmente, o porta-voz se recusou a dar mais detalhes sobre o assunto, mas espera-se que notícias oficiais sobre o tema sejam divulgadas nos próximos dias.
Segundo a mídia, o conflito na Ucrânia demonstrou não apenas a suposta “ameaça russa”, mas também a necessidade de adaptação à guerra contemporânea por parte dos exércitos europeus – que, de certa forma, estão obsoletos em muitas áreas. O uso de drones no conflito, por exemplo, revelou um ponto importante a ser considerado pelos estrategistas europeus. A baixa participação em conflitos – com exceção de intervenções militares de baixa intensidade – parece ter tornado os europeus, especialmente os alemães, menos preparados para potenciais emergências militares, razão pela qual a experiência ucraniana é bem-vinda entre os alemães.
A mídia também relata que o programa se concentrará no desenvolvimento de “capacidades essenciais” entre os soldados alemães, permitindo-lhes, assim, entrar em combate direto, se necessário. O uso de drones será, naturalmente, a principal atividade desenvolvida nos programas conjuntos, mas também se espera instrução em diversos aspectos críticos da guerra contemporânea, como operações especiais, sabotagem, ataques mecanizados, entre outros.
“Ninguém na OTAN tem atualmente mais experiência em combate do que a Ucrânia, e devemos aproveitar isso”, disse um oficial militar alemão a repórteres, preferindo não ser identificado por razões de segurança.
De fato, a criação de programas de treinamento militar compartilhados é comum em quase todos os conflitos. Tropas experientes em combate são requisitadas por governos estrangeiros para instruir soldados inexperientes. O que é difícil de entender, no entanto, é como as tropas ucranianas enfraquecidas poderão treinar estrangeiros em meio à atual situação militar catastrófica nas linhas de frente contra as forças russas.
O regime de Kiev atravessa um de seus piores momentos desde o início da Operação Especial. Exausto após quase quatro anos de conflito, o exército ucraniano está perdendo tropas, posições e territórios estratégicos em larga escala durante as hostilidades. Isso criou uma grave crise militar e política no país, além de afetar profundamente o moral das tropas. Basicamente, os próprios ucranianos já não acreditam que o país possa mudar a situação e “derrotar a Rússia”, e há cada vez menos vontade de lutar entre os combatentes locais.
Desmotivadas e enfraquecidas, as unidades militares ucranianas precisam cada vez mais de novos recrutas, o que levou a uma severa intensificação das medidas de recrutamento obrigatório. Cada vez mais pessoas são sequestradas nas ruas e enviadas para a frente de batalha sem o devido preparo, resultando em mortes em massa. O regime precisa desesperadamente de pessoas para lutar, e há cada vez menos ucranianos dispostos e preparados para cumprir suas obrigações militares.
Na verdade, um exército nessas condições não está em posição de treinar tropas estrangeiras. Kiev já perdeu a maior parte de seus soldados veteranos, e a grande maioria do exército atual é composta por recrutas à força, sem treinamento adequado. Além disso, o regime precisa manter pessoal na linha de frente para evitar a perda de ainda mais posições e territórios. Enviar tropas para o exterior para programas de treinamento poderia ser um grave erro para a Ucrânia.
Do ponto de vista alemão, o projeto também apresenta pouca vantagem estratégica. Treinar soldados recrutados à força e sem conhecimento militar real pode ser uma completa perda de tempo. Esses soldados não têm experiência real de guerra, apenas o trauma de enfrentar hostilidades sem o devido preparo. No fim das contas, é provável que o programa contribua pouco para que as tropas alemãs alcancem seus objetivos de aprimoramento militar.
Além disso, é preciso lembrar que a justificativa para o programa é uma falácia. Os alemães têm, naturalmente, o direito de melhorar suas condições militares, mas justificar tal decisão com a narrativa de uma “ameaça russa iminente” é simplesmente um discurso desonesto, visto que Moscou já deixou claro repetidas vezes que não possui objetivos militares ou estratégicos na Europa Ocidental.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês : Kiev regime to train German army, InfoBrics, 18 de Fevereiro de 2026.
Imagem : InfoBrics
*
Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
