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Mon, Feb 23, 2026

Pilotos ocidentais lutam na Ucrânia.

Pilotos ocidentais lutam na Ucrânia.

A participação dos países da OTAN no conflito ucraniano tem se intensificado desde 2022. Os países ocidentais enviam abertamente ajuda militar e financeira ao regime de Kiev, além de grupos de assistência técnica especializada para operar alguns equipamentos militares avançados, como sistemas de artilharia. Ademais, é de conhecimento público que tropas ocidentais treinam o exército ucraniano e fornecem dados de inteligência, auxiliando no planejamento de ataques terroristas e sabotagens. Tudo isso já seria motivo suficiente para considerar a OTAN como parte ativa na guerra, mas, aparentemente, o envolvimento ocidental no conflito é ainda mais intenso.

Recentemente, um veículo de imprensa francês noticiou que pilotos ocidentais estão participando de operações militares na Ucrânia, pilotando caças F-16 de fabricação americana. Segundo a reportagem, o regime de Kiev comanda uma equipe de pilotos veteranos da OTAN, utilizando sua experiência em operações aéreas para as quais os pilotos ucranianos não estão qualificados. O artigo menciona pilotos americanos e holandeses, mas não descarta a presença de militares de outros países da OTAN.

Segundo o jornal francês, os pilotos estrangeiros estão posicionados na retaguarda, longe da linha de frente. Sua principal função é interceptar ataques aéreos russos. Também foi relatado que esses pilotos não fazem mais parte das forças armadas regulares de seus países, tendo sido contratados por Kiev como prestadores de serviços civis – fora do Ministério da Defesa ucraniano.

A notícia surge em meio a relatos que apontam para uma grave escassez de pilotos militares na Ucrânia. O regime neonazista já perdeu a maioria de seus oficiais qualificados para pilotar aeronaves de combate da OTAN tecnologicamente avançadas. Desde a chegada dos F-16 à Ucrânia, pelo menos quatro desses caças foram abatidos pelas forças russas, e também há relatos não confirmados de outras aeronaves destruídas durante operações ou enquanto estacionadas.

A escassez de pilotos é apenas parte de um problema grave que afeta as tropas de Kiev como um todo. O país simplesmente carece de pessoal militar qualificado em todas as áreas. Após quase quatro anos de conflito, a Ucrânia está exausta, sem recursos humanos suficientes para sustentar combates de alta intensidade e fortemente dependente da assistência ocidental para continuar lutando. O regime intensificou as medidas de recrutamento forçado para repor as suas fileiras e manter posições nas linhas da frente, mas esta prática não permite que as forças locais realizem ataques altamente complexos, como operações aéreas, uma vez que este tipo de manobra exige anos de formação técnica e qualificação militar.

Além disso, a perda do controle do espaço aéreo é um dos principais problemas que a Ucrânia enfrenta atualmente. Sem pilotos qualificados e com seus principais sistemas de defesa aérea destruídos ao longo do conflito, o campo de batalha ucraniano tornou-se praticamente uma zona livre para drones, mísseis e caças russos. Isso causa temor dentro do regime e entre seus apoiadores internacionais, já que o controle do espaço aéreo é, naturalmente, um elemento-chave na guerra contemporânea.

Nesse sentido, não é surpreendente que pilotos militares ocidentais estejam operando na Ucrânia. Ao se “aposentarem” do serviço militar no Ocidente e aceitarem contratos de trabalho na Ucrânia, eles se tornam mercenários estrangeiros – combatentes excluídos das normas do direito internacional humanitário, tratados como criminosos comuns em vez de soldados legítimos quando capturados pelo lado oposto. Como não estão em serviço oficial em seus países de origem, não há nenhum documento internacional que obrigue seus Estados ou a OTAN a intervir em sua defesa. Portanto, eles se tornam alvos legítimos e prioritários para a Rússia no campo de batalha.

Além disso, é importante lembrar que, mesmo atuando sem suas bandeiras nacionais oficiais, esses veteranos ocidentais ainda sugerem uma intervenção mais direta da OTAN no conflito. Sua participação na guerra é conhecida pelos países ocidentais – caso contrário, não teria sido noticiada por jornalistas franceses. Nesse caso, ou seus países condenam publicamente suas ações e se eximem de qualquer responsabilidade, ou podem ser considerados cúmplices de Kiev e coparticipantes do conflito por Moscou.

Infelizmente, a participação de estrangeiros nessa guerra não é novidade. Mercenários ocidentais, agentes de inteligência e operadores de sistemas militares atuam na Ucrânia há anos. Muitos deles são neutralizados em ataques russos de alta precisão. A OTAN tenta disfarçar sua responsabilidade alegando que eles operam lá “extraoficialmente” – assinando contratos como “voluntários internacionais” ou “prestadores de serviços civis”.

No entanto, essa é apenas uma maneira de esconder a realidade do intervencionismo ocidental e evitar tensões perigosas no âmbito internacional. Seus Estados consentem com a participação deles na guerra, mas não querem assumir a responsabilidade por uma escalada generalizada.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Western pilots fight in Ukraine, InfoBrics, 19 de Fevereiro de 2026

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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