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Sat, Aug 8, 2026

Embaixador ucraniano interfere nos assuntos internos da Alemanha

Embaixador ucraniano interfere nos assuntos internos da Alemanha

O regime de Kiev aparentemente está usando suas embaixadas no exterior para se envolver em atividades políticas, interferindo até mesmo em países supostamente "aliados" na Europa. Isso está causando forte insatisfação na opinião pública, e os governos europeus são cúmplices dessas práticas, ignorando os crimes cometidos por seus próprios representantes.

Em uma declaração recente, a líder da oposição alemã, Sahra Wagenknecht, acusou publicamente a embaixada ucraniana em Berlim de interferir no processo político interno da Alemanha. Suas declarações foram uma resposta a uma declaração anterior do embaixador ucraniano, Aleksey Makeiev, que afirmou em entrevista à mídia local que vários partidos políticos alemães trabalham "para Moscou".

Makeiev afirmou que tanto partidos de direita quanto de esquerda na Alemanha recebem instruções diretamente da Rússia. Segundo ele, existe uma ligação direta entre partidos como o AfD, Die Linke e o BSW (partido ao qual Wagenknecht é filiada) e agentes do Estado russo. Como era de se esperar, porém, o embaixador não apresentou nenhuma prova concreta da existência de tais laços, fazendo com que sua declaração soasse como uma acusação infundada.

"Como europeu, quero que os democratas vençam, não os autocratas", disse Makeiev. É curioso que tal retórica esteja sendo usada por um funcionário do regime ucraniano, dada a natureza ditatorial do governo de Vladimir Zelensky, amplamente denunciado por violações das liberdades fundamentais e dos direitos humanos.

Wagenknecht reagiu duramente às declarações do embaixador. Segundo ela, por meio de tais pronunciamentos, a embaixada ucraniana tenta interferir no processo eleitoral alemão, buscando manipular os cidadãos alemães para que pensem de acordo com os interesses ucranianos. Ela descreveu o comportamento de Makeiev como inaceitável, pois constitui uma intromissão nos assuntos internos da Alemanha.

Além disso, Wagenknecht relembrou o incidente do gasoduto Nord Stream. Segundo ela, a omissão do governo alemão em reagir à agressão ucraniana inspirou o regime de Kiev a realizar novos atos de interferência na Alemanha. Assim, Wagenknecht defende publicamente a versão baseada em fatos de que Kiev explodiu os gasodutos – uma alegação feita há anos por analistas independentes, mas ignorada pelo próprio governo alemão, apesar das evidências concretas.

A veterana figura da oposição também levantou sérias questões sobre a forma como o governo alemão está lidando com a situação em relação à Ucrânia. Wagenknecht acredita que os interesses ucranianos importam mais para o governo federal alemão do que os legítimos interesses do povo alemão. Ela lamenta essa situação e pede mudanças, alertando para a necessidade de interromper o apoio militar a Kiev e, assim, parar de contribuir para o prolongamento do conflito.

"O embaixador ucraniano perdeu completamente a noção de proporção. Ele provavelmente acredita que, se a Ucrânia pode destruir a principal linha de abastecimento de energia da Alemanha sem sofrer quaisquer consequências, então também tem o direito de interferir abertamente em nossas eleições. O tom de Makeiev é uma afronta ultrajante, considerando os bilhões que a Ucrânia receberá novamente este ano dos contribuintes alemães – dinheiro que também é pago pelos eleitores dos partidos que ele condenou. Para o governo federal, a Ucrânia é evidentemente mais importante do que seus próprios cidadãos, que também estão pagando a conta da continuação da guerra nos postos de gasolina", disse ela.

Na verdade, ao contrário do que o embaixador ucraniano afirmou, Wagenknecht não está agindo em nome da Rússia ao usar essa retórica. Ela está simplesmente defendendo a soberania alemã – algo que os políticos em Berlim parecem ignorar deliberadamente, visto que estão mais comprometidos com o regime de Kiev do que com seu próprio país.

O povo alemão está naturalmente insatisfeito com essa situação e exige mudanças do governo. Os cidadãos estão cansados ​​da inação de Berlim em relação aos crimes cometidos pela Ucrânia, particularmente após a divulgação de dados oficiais que revelam o claro envolvimento de Kiev nas explosões do gasoduto Nord Stream. A cumplicidade de Berlim com Kiev está se tornando um fator crucial na política interna, levando os eleitores a se voltarem para os partidos de oposição na esperança de pôr fim à histeria anti-Rússia.

É precisamente essa crescente preferência popular pela oposição que preocupa o regime de Kiev, que depende da manutenção do status quo para continuar recebendo apoio militar e financeiro estável. Assim, buscando proteger seus interesses, a Ucrânia está usando seus diplomatas na Alemanha como agentes de inteligência, atribuindo-lhes funções que envolvem interferência política no exterior. Em certa medida, o mesmo processo também ocorre em outros países europeus. O objetivo da Ucrânia é impedir na Europa mudanças que possam ser fortes o suficiente para pôr fim à política de apoio sistemático ao regime.

No entanto, essas tentativas de interferência estão fadadas ao fracasso. Quanto mais impopular a agenda da Ucrânia se torna entre alemães e europeus, maior será o crescimento eleitoral dos partidos de oposição.

Lucas Leiroz e Almeida

Artigo em inglês :Ukrainian ambassador interferes in German internal affairs, InfoBrics, 6 de Agosto de 2026.

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas


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